10 de setembro de 2016

Obra escrita por seu companheiro e contemporâneo


Pe. Virgílio Cepari
Companheiro de Religião e Contemporâneo do Santo
Edição de 1910 - 430 págs


Que tendes na mão? Que vos oferecemos? Um livro? Não: um amigo: esse tesouro em que se encontram profusamente todas as riquezas; esse seio sempre generoso e aberto para receber nossas alegrias, nossas mágoas, nossas aspirações, nossas misérias; esse oceano em que nos podemos lançar confiantes e certos de sempre achar abrigo; essa imagem do amor de Deus, que se chama um amigo. Esse amigo, nobre, fiel, dedicado, generoso, benfazejo, oh! não penseis que seja este livro, não: esse amigo é S. Luiz de Gonzaga.
No firmamento da Igreja de Deus, poucos Santos haverá talvez tão conhecidos, ou antes, tão mal conhecidos, como o nosso santo Amigo. Que ideia se forma em geral de S. Luiz? Sabe-se que foi uma daquelas almas prevenidas das bênçãos da celestial doçura, que passam sobranceiras pelo lamaçal do mundo sem macular de leve as asas puríssimas de graça, sabem-se quando muito alguns episódios de sua vida, que foi príncipe, morreu moço; e no mais... quanta ignorância! Muitos são  devotos de S. Luiz por verem suas imagens tão belas, tão atraentes... Outros por admiração à sua inocência. Alguns, finalmente, o consideram de um modo tanto romântico, se assim nos podemos exprimir; simpatizam com ele porque foi belo, nobre, abandonou tudo por amor de Deus, morreu na mais formosa idade da vida...
Como é superior a tudo isto o Amigo que ganhastes neste dia! Não foi uma alma fria, isenta de sentimentos humanos, um coração inacessível, uma estatua de mármore, como alguns pensam: tanto teve de humano, como de sobre-humano. Sua inteligência descortinou em sou voo de a guia os mais longínquos horizontes, e quantos monumentos imperecíveis nos teria certamente deixado se a sede de Deus o não tivera levado tão cedo a saciar-se plenamente naquele divino manancial em que de leve molhara os lábios, na terra e, cuja saudade o consumia do mal dos Santos: o amor! Seu nobre coração, acessível a tudo quanto há de grande e generoso, só uma coisa desconheceu: a maldade; quanto mais puro, porém e angélico, mais tesouros de compaixão e caridade reservava aos infelizes que perderam aquela túnica nupcial que o revestia, aquela amizade de Deus que o inundava e fazia a admiração dos mesmos Anjos.
O nosso Amigo foi um Santo bem humano. O principal sentimento que desperta a leitura de sua vida, é esse afeto, essa ternura, essa comoção que só pode excitar o que é profundamente humano. Quem não se enternecerá e sentirá um aperto bem doloroso no coração vendo aquele principezinho de quatro ou cinco anos, já entusiasmado por tudo quanto há de belo e generoso, levado pelo seu gênio altivo e pelo nobre sangue que lhe corre nas veias, ofuscado pelo brilho da glória militar, inclinado à vida das armas, à frente das tropas de seu pai e depois... depois que um arrependimento - coroa de todas as mercês divinas - vem ainda mais purificar aquela almazinha de que não cometera, morrer de repente a tudo, com coragem sobre-humana, tão incompreensivelmente superior à sua idade, sem direção, sem guia, sem conselho, arrancar as próprias entranhas, por assim dizer, suas aspirações, seus nobres sonhos, suas ilusões de criança. Com que sublime generosidade procura reparar aquele passado imaculado em que seus olhos puríssimos, deslumbrados pelos resplendores da Formosura divina, descobrem manchas! Aqui o vemos desmaiado de dor aos pés do confessor; ali, vencido pela fraqueza e pelas austeridades, enregelado pelos grandes frios da Lombardia, prostrado por terra em camisa, passando a noite em oração. Com que sabedoria celeste, com que coragem arranca de sua alma os menores vestígios de imperfeições, os mais secretos  germens das paixões ainda não despontadas; cerceia tudo que o poderia afastar, ou ainda distrair um momento do Sumo Bem, em cuja contemplação sua alma enamorada se abisma e perde!
Mas Jesus não se deixa vencer em amor. Ele mesmo Se chega aquela almazinha cândida em que vê refletida sua divina pureza e dá-lhe a beber o néctar de suas consolações mais preciosas; abre-lhe no coração aquela incurável ferida de amor que faz o tormento cheio de delicias e as delícias cheias de tormentos dos serafins do divino amor; fá-lo penetrar na mais secreta câmara do seus tesouros e ostenta a seus olhos deslumbrados aquelas riquezas que os olhos do homem nunca viram, seus ouvidos nunca ouviram celebrar, seu coração nunca poderá compreender. Na idade em que os demais meninos estão entregues aos folguedos da infância, eleva-o à mais alta contemplação; reveste-o de uma fortaleza, anima-o de uma sabedoria que faz a admiração de toda a corte e avassala o espírito dos próprios pais. Livra-o de manifestos perigos, porque não quer que seja outra a sua morte senão a do amor; manda de Milão S. Carlos Borromeu, não com o fim de visitar o Bispado, mas para consumar, como sacerdote do Altíssimo, sua união com aquela alma, oásis de suas delícias. Segrega-o do mundo, e, finalmente, colhe-o para Si, em pleno viço o formosura, adornado de todas as graças, rico de todos os merecimentos, mártir do amor ao próximo em sua morte, como fora mártir do amor divino em sua vida.
Se a pobre criatura humana alguma coisa pode merecer de seu grande Deus S. Luiz, certamente merecia esse amor. Seu coração, como um teclado dócil respondia com uma gama de afetos à mais leve pressão dos dedos divinos; cada graça encontrava nele um reconhecimento; cada carinho, um sacrifício: - a munificência de Deus se comprazia em porfiar com a generosidade daquela criança. 
[...]
A obra é cheia de interesse e encanto pela sua unção, simplicidade, e verdade. É esta a vida de S. Luiz, não há que duvidar. Julgamos, entretanto, poder afirmar que o autor, como verdadeiro filho de Santo Ignácio, escrevendo numa época em que S. Luiz não fora ainda canonizado, não quis antecipar seu julgamento ao da Igreja, e procura por diques à sua admiração e entusiasmo, sendo em extremo discreto, prudente e reservado.
Maria Santíssima, nossa boa Mãe, a quem consagramos e entregamos este livro, se digne tomá-lo debaixo de seu patrocínio e derramar sobre ele suas bênçãos, para que possa acender em todos os corações a devoção a S. Luiz, e suscitar-lhe muitos imitadores e fiéis  amigos, que derramando na terra o bom odor de Jesus Cristo, tornem mais conhecido, amado e servido o nosso grande Deus, a Quem seja glória eternamente, o apressem o advento de seu reino, que tão instantemente pedimos cada dia da oração que nos ensinou seu divino Filho: Adveniat reqnum tuum.

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