12 de março de 2013

Coleção Popular de Formação Espiritual

nas vias de piedade
Obra Póstuma
do
Padre J. Michel
da Companhia de Jesus
Livro de 1952 - 144 páginas



CAPÍTULO I

Perigos e Efeitos Funestos do Desânimo

O desânimo é a tentação mais perigosa que o inimigo da salvação dos homens possa pôr por obra. Nas outras tentações, ele só ataca uma virtude em particular e mostra se a descoberto; no desânimo, ataca as todas, e esconde-se.
Nas outras tentações, vê-se facilmente a cilada: na Religião, não raro na própria razão, e numa educação cristã, achamos sentimentos que as condenam: a vista do mal que não podemos disfarçar, a consciência, os princípios de Religião que despertam, servem de apoio para nos sustentarmos. No desânimo não achamos socorro algum; sentimos que a razão não basta para praticar todo o bem que Deus pede; por outro lado, não esperamos achar junto a Deus a proteção de que havemos mister para resistirmos às paixões. Achamo-nos, pois, sem coragem, prontos a tudo abandonar; e é até aí que o demônio quer conduzir a alma desanimada.
Nas outras tentações, vemos claramente que seria mal aderirmos a elas por um sentimento refletido: no desânimo, disfarçado sob mil formas, acreditamos ter razões as mais sólidas para nos deixarmos guiar por esse sentimento, que não consideramos como uma tentação. Entretanto, esse sentimento faz considerar como impossível a prática constante das virtudes, e expõe a alma a se deixar vencer por todas as paixões. É, pois, importante evitar essa cilada.
~ * ~ * ~

CAPÍTULO II

O efeito mais funesto do desânimo é que a alma que nele cai não o considera uma tentação. A esperança e a confiança em Deus é tão mandada quanto a Fé e as outras virtudes
O que faz o grande mal de uma alma desanimada é que, iludida por um temor excessivo que lhe disfarça os verdadeiros princípios, abatida pela vista das dificuldades contra as quais não acha em si mesma recurso algum, ela não considera esse estado como uma tentação. Se o encarasse sob este ponto de vista, desconfiaria das razões que o alimentam: e, assim, sairia dele bem mais cedo e mais facilmente.
Bem certo é, entretanto, que se trata de uma tentação bem definida; porquanto todo sentimento que é oposto à lei de Deus, ou em si mesmo ou pelas consequências que pode ter, evidentemente é uma tentação. É assim que julgamos de todas as que podemos experimentar. Se nos vem um pensamento contra a Fé, um sentimento contra a Caridade, ou contra alguma outra virtude, consideramo-lo como uma tentação, desviamo-nos dele, e aplicamo-nos a produzir atos opostos a esse pensamento, a esse sentimento, que nos põe em perigo de ofender a Deus.
Ora, a Esperança e a confiança em Deus é tão mandada quanto a Fé e as outras virtudes. O sentimento que vai contra a Esperança é, pois, tão proibido quanto o que vai contra a Fé, e contra qualquer outra virtude: é, pois, uma tentação bem caracterizada. A lei prescreve nos fazer amiúdes Atos de Fé, de Esperança e de Caridade: proíbe-nos, por isso mesmo, todo ato, todo sentimento refletido contrário a essas virtudes tão preciosas e tão salutares. Deve-se, pois, considerar o desânimo como uma tentação, e mesmo como uma tentação das mais perigosas, visto que expõe a alma cristã a abandonar toda obra de piedade.
Para tornardes sensível a vós mesmos esse perigo, examinai a conduta ordinária dos homens. A esperança de ser bem sucedido, de se proporcionar um bem, de evitar um mal, numa palavra, de satisfazer algum desejo ou alguma paixão, é que os faz agir, é que os sustenta nas penas que eles têm de suportar, é que os anima nos obstáculos que eles têm a vencer. Tirai-lhes toda esperança, e logo eles cairão na inação. Só um homem no delírio pode dar se movimentos por um objeto que ele desespera de poder adquirir. O mesmo efeito o desânimo produz na prática das virtudes; funda se no mesmo princípio, a falta dos meios para chegar ao fim que nos propomos.
A alma cristã que não espera vencer se na prática de alguma virtude, nada ou quase nada empreende para se fortificar. Os esforços insuficientes que ela faz aumentam lhe a fraqueza; e, mais do que meio vencida pelo seu desânimo, ela se deixa facilmente arrastar à paixão que a domina. A vista da sua fraqueza lança a primeiramente na irresolução, na perturbação. Neste estado, todo ocupada da dificuldade que sente em combater, ela já não vê os princípios que devem guiá-la. O temor de não ser bem sucedida impede a de enxergar os meios que deve adotar para vencer, e que Deus lhe apresenta: ela se entrega, pois, ao inimigo sem defesa. É como uma criança a quem a vista de um gigante que avança contra ela faz tremer, e que não pensa em que uma pedra basta para derrubá-lo, se ela se servir dessa pedra em nome do Senhor. Essa alma, assim, desanimada, tem um socorro poderoso na bondade do Pai mais terno; e que é só reclamar esse socorro, para sair vitoriosa do combate.

~ * ~ * ~

ÍNDICE

Capítulo I. Perigos e efeitos funestos do desânimo
Capítulo II. O efeito mais funesto do desânimo é que a alma que nele cai não o considera uma tentação. A Esperança e a confiança em Deus é tão mandada quanto a Fé e as outros virtudes
Capítulo III. Fonte e causa das impressões que o desânimo produz numa alma cristã
Capítulo IV. Do verdadeiro motivo da Esperança cristã: esse motivo é o mesmo para todos os homens
Capítulo V. Motivo de confiança, bem poderoso, no valor infinito dos sofrimentos e dos merecimentos de Jesus Cristo
Capítulo VI. Motivo de confiança, para uma alma religiosa, na misericórdia de Deus sobre ela, e na escolha que Ele fez dela pela graça da sua vocação. Falsas ideias e falsos sentimentos que emprestamos a Deus
Capítulo VII. As nossas infidelidades reiteradas não devem fazer-nos perder a confiança em Deus. Só a perdemos por termos falta de Fé
Capítulo VIII. Deus nunca está mais perto de nós, para nos sustentar no combate, do que quando o acreditamos mais distante. Ele só parece ocultar-se para que o procuremos e o invoquemos
Capítulo IX. Não se pode vencer sem combate, e não há combate sem esforço
Capítulo X. É tentar a Deus, e tentar-nos a nós mesmos contra a ordem de Deus, o prevermos os combates a que poderemos estar expostos com o correr do tempo
Capítulo XI. Do aborrecimento, do tédio, da repugnância no serviço de Deus, fontes de um desânimo contrário à razão
Capítulo XII. É pensar mal o pedirmos a Deus a cessação das nossas penas e dos nossos combates, e querermos ser ouvidos imediatamente
Capítulo XIII. Quereríamos que Deus fizesse tudo em nós, e nos desse a vitória, sem que isto nos custasse nenhum esforço: erro pernicioso, pretensão injusta, causa comum do desânimo
Capítulo XIV. Desanimamos por não querermos aproveitar os meios ordinários que estão ao nosso alcance, e, por preguiça, desejarmos meios extraordinários
Capítulo XV. Falsa e funesta persuasão de que não depende de nós combater certas inclinações, nem resistir a certos hábitos
Capítulo XVI. Desgosto que concebemos pelos exercícios de piedade, sob o falso pretexto de serem inúteis e de só servirem para multiplicar as nossas faltas
Capítulo XVII. Dos motivos naturais que se misturam ás retas intenções; novo pretexto de desânimo
Capítulo XVIII. É um erro não ousar oferecer as próprias ações a Deus por não terem elas toda a perfeição que se desejaria e que se julga necessária

Capítulo XIX. A cessação dos sentimentos da piedade, princípio errôneo e desarrazoado de desânimo
Capítulo XX. Faltas que as almas piedosas cometem no tempo da secura
Capítulo XXI. Perde-se o tempo na meditação: pretexto para abandoná-la; pretexto falso e não raras vezes criminoso naquilo que pode ter de real. Meios de se ocupar utilmente na meditação
Capítulo XXII. Esforços que se fazem para ser tocado sensivelmente; esforços inúteis, e não raro perniciosos, fontes de um desânimo desarrazoado
Capítulo XXIII. Sobre as leituras que se fazem durante a meditação, ou assistindo ao sacrifício do altar
Capítulo XXIV. Da escolha dos livros de que nos servimos na meditação, e do método que se deve seguir nessas leituras

Qualquer quantia tem grande valor

http://alexandriacatolica.blogspot.com.br/2015/12/qualquer-quantia-tem-grande-valor.html

O SANTO DE AUSCHWITZ

Assim dizia São Maximiliano Kolbe:

"De muito boa vontade oferecemos leituras gratuitas a todos aqueles que não possam oferecer nada para esta obra, mesmo privando-se um pouco."

O que é ser um Benfeitor do Blog?

O que é ser um Benfeitor do Blog?
Clique na Imagem

Agradeço aos amigos virtuais pelo selo

Agradeço aos amigos virtuais pelo selo