17 de julho de 2012

Pena de Morte

Pe. Emílio Silva
Livro de 1986 - 194 págs


  " [...] Hans Von Hentig informa que, segundo o Dr. Squire, médico da penitenciária de Sing Sing, "de cento e trinta e oito condenados à morte, somente cinco recusaram o auxílio do sacerdote: a maioria ia para a morte com o convencimento de que seus pecados haviam sido perdoados" ("La Pena", II, p. 52, nota ti. 117).

   Vem a pelo, a observação de Santo Tomás:
"O castigo não pressupõe sempre uma culpa, embora exija uma causa. A medicina nunca priva de um bem maior para conseguir um bem menor, mas causa um menor para preservar o maior. E como os bens temporais são menores que os espirituais, pode alguém receber um castigo temporal, sem culpa, para evitar um mal espiritual. Daí, castigos temporais, sem razão aparente para o homem, mas conhecida somente de Deus" ("Suma Teológica" 2-2 q 108 — Da Vingança).

   "D. João VI, quando no Brasil, viu diante de si um miserável, que lhe pedia clemência, depois de ter matado um sacerdote. Antes, já havia sido indultado pelo assassínio de uma mulher grávida. 'Não o indulteis — ponderou o Conde D'Arcos — este homem cometeu um crime infame'. — 'Um? — retrucou o rei — ele cometeu dois!' — 'Não senhor, um só — atalhou o Conde — o segundo foi Vossa Magestade quem o cometeu, porque não deveria ter perdoado o primeiro a tão grande criminoso'. O criminoso foi enforcado, e o Conde D'Arcos continuou sendo Conselheiro do Rei" (Ramón Muííana — "Nuevo Catecismo en Ejemplos", verbete n. 3.288).


     Não poderia encerrar estas, considerações, absolutamente dispensáveis, ante a magnitude desta obra, que fala "per se", sem transcrever, como arremate, a palavra definitiva do Doutor Angélico.

   "Se for necessário à saúde de todo o corpo humano a amputação de algum membro que estiver infeccionado e possa contaminar os demais, tal amputação seria louvável e saudável. Pois bem, cada pessoa singular se compara a toda comunidade; e, portanto, se um homem for perigoso para a sociedade e a corrompe por algum pecado, louvável e saudavelmente se lhe tira a vida para a conservação do bem comum, pois, como afirma São Paulo, 'um pouco de levedura corrompe toda a massa' (I Cor. V, 6).

 "Por conseguinte, embora matar ao homem que conserva sua dignidade seja em si um mal, sem embargo, matar ao homem pecador pode ser um bem, como matar uma besta, pois, como diz Aristóteles, 'pior é o homem mau que uma besta' ("Suma Teológica, 2-2 Q. 64,art. 2, "In" BAC, vol. 152, p. 433/434).


6 comentários:

Rafael disse...

A Igreja empenha-se CONTRA a pena de morte porque ela é "tão cruel como desnecessária" (João Paulo II, St. Louis, 27/01/1999).

Na Encíclica Evangelium Vitae (1995), o Beato Papa João Paulo II não afirma que a pena de morte é uma pena inaceitável ou injusta. Tirar a vida de um criminoso é uma medida extrema, a que um Estado só deve recorrer em casos de absoluta necessidade.

"Na verdade, nos nossos dias, devido às possibilidades de que dispõem os Estados para reprimir eficazmente o crime, tornando inofensivo quem o comete, sem com isso lhe retirar definitivamente a possibilidade de se redimir, os casos em que se torna absolutamente necessário suprimir o réu 'são já muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes'" (CIC, § 2267).

A_Católica disse...

Sr. Rafael,

Leu o livro ou ao menos este trecho aqui publicado?
Vê como o mundo caminha ao abismo? É... não é à toa....

Saudações!!!!

Anacoreta, o Penitente disse...

O Sr. Rafael não fez uma citação completa, o que atenta contra a boa-fé, vejamos:

"CIC 2267. A doutrina tradicional da Igreja, desde que não haja a mínima dúvida acerca da identidade e da responsabilidade do culpado, não exclui o recurso à pena de morte, se for esta a única solução possível para defender eficazmente vidas humanas de um injusto agressor.

Contudo, se processos não sangrentos bastarem para defender e proteger do agressor a segurança das pessoas, a autoridade deve servir-se somente desses processos, porquanto correspondem melhor às condições concretas do bem comum e são mais consentâneos com a dignidade da pessoa humana."

A última parte foi mencionada pelo Sr. Rafael, que suprime as partes que não lhe convêm, atentando contra a verdade ocultando-a.

Se houver formas de suprimir a criminalidade sem suprimir o criminoso, a Igreja as apóia.

Se a pena de morte for o recurso extremo a ser aplicado para manter a ordem pública, ela será aplicada com as bênçãos da Igreja.

Hilda Dilay Rogulski disse...

'' Não matarás!''

A_Católica disse...

Salve Maria, Hilda!

Antes de postar qq comentário, vc precisa se informar melhor sobre o q este mandamento nos obriga e nos permite.

Se vc tiver boa vontade de ler o livro entenderá tudo perfeitamente....

Saudações!

Anacoreta, o Penitente disse...

Claro, por isso que o assassino será punido com a morte.

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